Me ví com um olhar doce, meigo, amoroso, carinhoso; doce olhar de menina, olhar sorridente... Hoje vejo um olhar vazio, negro como um poço sem fundo. Olhar sem emoção, sem sorriso. Irreconhecível. Me olho ao espelho e não reconheço-me mais, me procuro e não me encontro. Aquelas fotos felizes como uma menina deslumbrada com a vida são apenas lembranças. Agora me pergunto: "Como cheguei até aqui?" "Em que momento tomei a curva errada?" Ou até. "Por quê e para quê essas instabilidades?". Minha família é de uma frieza e de uma desunião que me surpreende, perdí o jeito de tratar as pessoas, me fechei, entristeci, mergulhei numa situação que me fizeram acreditar que me pertencia. Agora crescí e noto que cada um tem que procurar pelo seu bem estar e a realizar seus sonhos e não você pegar os seus sonhos e pedir para alguém realizar e ficar sentado esperando, mas me sinto tão culpada por não fazer o que eu fazia antes, pois o que parecia certo, se revelou errado. O meu excesso de generosidade levou a acomodação das pessoas; a esperarem de mim; a surgir situações que as deixam mais confortáveis do que propriamente eu que batalho dia após dia. Se sorrio eles sorriem, se me entristeço, noto que todos entristecem. Preciso de força, de uma palavra acolhedora, de um insentivo e não de "Pare!", "Chega!", caras tristes, quero enfrentar as situações sem medo algum. Busquei apoio, ascensão, coragem, aonde não existia e não tinha notado isso ainda, pois ainda não havia precisado. Estou com vontade de fugir, viajar, esquecer um pouco do que fica para trás, mas se eu fizer isso, dirão que sou egoísta, que não penso no bem estar dos outros também e fica aquele olhar julgador. Só queria jogar essa situação que é minha fora. Estou procurando coragem para viver minha vida. Todos crescem, amadurecem e é chegado o momento para se procurar o seu próprio refúgio. As vezes o amor é melhor viver à distancia familiar, do que dia após dia um maltratando o outro...
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